Suzano registra lucro líquido de R$ 1,8 bilhão no 2º trimestre, queda de 64% em relação a 2025
Suzano divulga lucro líquido de R$ 1,8 bilhão no 2º trimestre, queda de 64% em comparação anual.

A Suzano (SUZB3) divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26), registrando um lucro líquido de R$ 1,81 bilhão, uma queda de 64% em comparação ao lucro de R$ 5,01 bilhões do mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impactado principalmente pelo aumento dos custos de produção, gastos logísticos e paradas programadas para manutenção. A receita líquida totalizou R$ 11,59 bilhões, um recuo de 13% em relação ao 2T25.
Pressão sobre custos e desempenho do segmento de celulose
O segmento de celulose, principal gerador de receitas da empresa, representou 76% do faturamento consolidado, com vendas de 2,9 milhões de toneladas no trimestre, queda de 11% em relação ao 2T25. Apesar disso, o preço médio líquido da celulose no mercado externo avançou 8% em dólar, para US$ 601 por tonelada, refletindo reajustes e resiliência da demanda global. A margem Ebitda do segmento recuou de 52% para 48%, pressionada por custos crescentes e impactos cambiais.
A redução da margem Ebitda ajustada reflete a pressão sobre a rentabilidade da operação.
A receita líquida do segmento de celulose somou R$ 8,76 bilhões, uma retração de 15% na base anual, enquanto o Ebitda ajustado caiu 22%, para R$ 4,18 bilhões. A empresa destacou que o aumento dos custos de insumos, energia, madeira e logística, influenciados pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre as commodities, impactou negativamente a rentabilidade. O custo caixa de produção de celulose sem paradas ficou em R$ 843 por tonelada, alta de 1% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Fluxo de caixa e redução da dívida
O fluxo de caixa livre ajustado alcançou R$ 3,3 bilhões, um aumento de 27% em relação ao 2T25, impulsionado pela liberação de capital de giro, menores desembolsos de investimentos e efeitos positivos das operações de hedge. A geração de caixa operacional somou R$ 2,89 bilhões, enquanto os investimentos totalizaram R$ 2,54 bilhões, ambos em base caixa. Os desembolsos de capital foram 20% menores do que no mesmo período de 2025, refletindo menores gastos com expansão, florestas e o Projeto Cerrado.
A redução dos desembolsos de capital reflete uma estratégia de contenção de gastos.
Ao final de junho, a dívida líquida da Suzano era de R$ 66,1 bilhões, uma redução de 7% em comparação anual e de 3% em relação ao trimestre anterior. Apesar da queda do endividamento líquido, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda ajustado subiu para 3,3 vezes em reais e 3,4 vezes em dólares, refletindo a redução do Ebitda acumulado dos últimos 12 meses. A posição de caixa e aplicações financeiras atingiu R$ 26,6 bilhões, alta de 28% frente ao mesmo período de 2025.
Novas aquisições e estratégia de crescimento
A Suzano também destacou como evento subsequente a conclusão, em 1º de julho, da aquisição de 51% da joint venture formada com a Kimberly-Clark no segmento de produtos tissue, em uma operação avaliada em US$ 1,3 bilhão. Segundo a empresa, o negócio reforça sua estratégia de crescimento em produtos de maior valor agregado e expansão internacional.
